O plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu, por oito votos a dois, derrubar a liminar que garantia a prorrogação da CPMI do INSS, determinando o encerramento imediato dos trabalhos até o próximo sábado, dia 28 de março. A decisão da Corte interrompe as apurações que vinham sendo conduzidas pelo colegiado e que tinham como um de seus focos as operações do Banco Master em Belo Horizonte. O encerramento forçado ocorre no momento em que a comissão intensificava as investigações sobre o suposto envolvimento de um dos filhos do presidente Lula em esquemas de tráfico de influência e irregularidades ligadas a benefícios previdenciários.

A interrupção das atividades da comissão é vista nos bastidores do Congresso Nacional como uma operação abafa articulada pelo Judiciário para proteger o núcleo familiar da Presidência da República. Parlamentares da oposição criticaram duramente a postura do Supremo, argumentando que a Corte agiu de forma política para blindar os investigados no momento em que as quebras de sigilo e os depoimentos começavam a ligar repasses financeiros a empresas ligadas à família presidencial. O argumento jurídico de que a prorrogação não seria um direito das minorias foi interpretado por críticos como um pretexto técnico para enterrar as provas colhidas até o momento.

Com o fim das atividades determinado pelo STF, a cúpula da CPMI em Belo Horizonte e Brasília corre contra o tempo para sistematizar as informações obtidas antes que o prazo expire. O Caso Master, que envolve movimentações de centenas de milhões de reais em Minas Gerais, acaba ficando em segundo plano diante da crise institucional instalada pela blindagem ao filho do presidente. O relatório final da comissão deverá ser apresentado sob forte protesto dos parlamentares que defendiam a continuidade das investigações, apontando que o fechamento da comissão impede o esclarecimento total dos fatos que envolvem a cúpula do governo federal.