O governo de Romeu Zema anunciou nesta segunda-feira um novo reajuste salarial de apenas 5,4% para o funcionalismo público, índice que foi prontamente classificado como um desrespeito pelas categorias. O anúncio ocorre após um ano de 2025 marcado pelo congelamento total dos salários para a maior parte dos servidores, aprofundando o cenário de arrocho salarial no estado. Representantes sindicais apontam que a medida falha miseravelmente em recompor as perdas inflacionárias, que já ultrapassam a marca de 20% nos últimos três anos de gestão.

A indignação dos trabalhadores mineiros é amplificada pelo contraste gritante com o tratamento dispensado à cúpula do Poder Executivo. Enquanto o funcionalismo da saúde, educação e segurança pública recebe correções que sequer cobrem o custo de vida, o governador viabilizou um aumento astronômico de quase 300% para os seus próprios vencimentos, do vice-governador e de seus secretários estaduais. Essa disparidade abissal tem sido o principal combustível para as críticas de que o governo prioriza o alto escalão em detrimento de quem opera os serviços essenciais na ponta.

As carreiras administrativas e da segurança pública, que não possuem autonomia financeira, são as que mais sofrem com a política salarial de Zema, dependendo exclusivamente de migalhas concedidas pelo Executivo. O histórico de reajustes lineares do atual governo é marcado por atrasos e valores que não acompanham a realidade econômica do trabalhador mineiro. Com o encerramento do segundo mandato se aproximando, a marca deixada pelo governo é de uma profunda desvalorização do servidor público, mascarada por índices que ignoram o buraco financeiro deixado pelos anos de omissão e descaso.